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segunda-feira, 10 de agosto de 2009

[News] O Contrato ‘Pop Goes’

Obrigada Suky por ter traduzido, este texto é maravilhoso e retrata com clareza a atual 'cena' musical coreana.
Existe uma visão bastante justa sendo feita sobre o contrato que grande parte dos artistas na Coréia fazem no Joongang Ilbo de hoje. Usando o processo que o TVXQ iniciou contra a SM Enterteinment como referência, o artigo enfoca o longo e pesado contrato que a maioria dos artistas na Coréia tem que se submeter, especialmente os cantores.
Como você provavelmente já deve ter ouvido, no dia 31 de julho, 3 membros do TVXQ entraram com um processo contra a sua agência, alegando que o seu contrato era injusto. DBSK é a banda mais popular da SM atualmente, e está se saindo especialmente bem no Japão, onde eles recentemente se apresentaram por duas noites no Tokyo Dome. A reclamação da banda é basicamente o mesmo que temos ouvido repetidamente na Coréia ao decorrer dos anos - os seus contratos são muito longos, os seus contratos não pagam o suficiente, as multas por quebra de contrato com a gravadora são severas demais, os artistas não têm controle suficiente sobre as suas próprias carreiras, os artistas não são pagos satisfatoriamente (provavelmente o maior problema).

Eu não quero entrar em detalhes no caso particular do DBSK. Isto é algo para a corte coreana resolver. Mas eu penso que casos como esses trazem a tona algo muito mais importante.
Falando sobre os contratos dos artistas serem mais justos - quantos anos eles deveriam durar, quanto deveria ser pago aos artistas, etc. - deixa passar a questão principal. Eu estou tentado a chamar isso de "Reorganizar as cadeiras no convés do Titanic", mas isto seria um pouco de exagero - depois de tudo, a indústria coreana de entretenimento está mostrando alguns sinais de naufrágio em um momento próximo... Isto é mais como discutir a melhor forma de se aliviar a dor de um paciente gravemente doente. Significa muita discussão sobre os sintomas e deixando passar completamente as causa da doença.

Os ídolos pop coreanos são pagos miseravelmente e de forma descontrolada porque as empresas são demoníacas. As empresas somente estão fazendo o melhor que podem com o sistema em vigor. E julgando pela larga lista de artistas que emergiram do sistema coreano musical ao passar dos anos, eles estão aparentemente fazendo algo certo.

O problema é, o sistema coreano musical por si só, que possui muitos recursos - intenso e cheio de altos e baixos (bem distante na situação econômica da Coréia no geral). Por causa da efervescência em surgimento de novas estrelas e o marketing gerado para isso que recai somente nas companhias musicais, gasta-se uma grande quantidade de dinheiro para se gerar novas estrelas. As maiores companhias têm mais de 50 performers (em sua maioria gente jovem) em período de treinamento, tendo aulas de dança, aulas de canto, aprendendo a agir como estrelas, e normalmente vivendo em uma casa da companhia. Tudo isto acrescenta muito rápido.

Então quando uma banda recebe tostões pelas vendas de um álbum, temos de lembrar que os membros passaram anos treinando antes de chegarem a arrecadar qualquer centavo e se saindo bem, ainda existem vários outros jovens aspirantes que nunca chegam a fazer sucesso, mas que da mesma forma consomem recursos da empresa. Quantos aspirantes cada companhia tem para cada artista bem sucedido? 5? 10? Eu não sei, mas é bastante.

O problema real (como eu discuto em meu livro, POP GOES KOREA) é a falta de diversidade na cena da indústria musical coreana. Na maioria dos países a música é a essência, vem do coração. Jovens pagam instrumentos e começam a tocar na garagem de seus pais ou algo do tipo. Alguns se tornam bons o bastante para tocar em clubes. Alguns se tornam bons o bastante para gravarem álbuns (ou MP3 tanto faz). E muito poucos fazem dinheiro com isso. Basicamente, o custo e inconveniência de se desenvolver habilidades recaem sobre os que desejam se tornar artistas. No momento em que eles atingem o nível de artistas, muito do aprendizado e aperfeiçoamento já foi feito.

Mesmo no Japão, onde o J-Pop é um grande negócio, você tem o J-Rock e o Jazz e uma grande variedade de opções. E opções levam a competição, quando se reduz o controle que as companhias têm em outros casos.
Estranhamente, a Coréia costumava ter uma ótima e viva cena musical. Isto foi há muito tempo atrás. Nos anos 60 e 70, a maioria dos grandes artistas tinha uma banda ao vivo que o acompanhava, tocando nas bases militares dos EUA ou em clubes de Myeong-dong. Mesmo nos anos 80 quando a cena musical coreana se tornou mais pop e sintetizada, ainda existia uma base ao vivo onde a maioria dos artistas se apoiava - Cho Yong-pil, Shin Hae-chul, Jo Sung-mo, e todos desta época eram artista de performance ao vivo.
Mas com a chegada dos anos 90, a cena começou a mudar, principalmente com o surgimento de Seo Taiji. Apesar de Seo Taiji ter escrito a suas canções (pelo menos a maioria delas) e as tocava ele mesmo, ele tipicamente se apresentava com canções pré-gravadas (playback) com os The Boyz dançando a sua volta. Esta foi à fórmula que as companhias musicais coreanas usariam para criar as suas boy e girl bands. E logo as pré-fabricadas bandas dançarinas vieram com força e rapidez. Em alguns anos eles dominaram os programas de TV musicais, MNET, e semelhantes.

Para uma geração de jovens coreanos, ser um artista significa saber dançar primeiro, ter uma boa aparência e se der cantar bem. Muito poucos jovens pegam uma guitarra com o sonho de através disso se tornarem grandes. Claro que vários jovens tocam instrumentos, por várias razões Mas poucos nutrem o sonho seriamente de usarem a guitarra (ou o instrumento que for) para se tornarem rock stars.
E enquanto a cena de música ao vivo (não pré-fabricada) não for uma rota para se tornar uma estrela na Coréia, a cena musical local vai continuar manipulada pelas agências e companhias musicais com a música pop pré-fabricada.

O engraçado é que, sobre todo o discurso a respeito do poder de manipulação das companhias, a verdade é que elas são na verdade muito fracas. Elas estão meramente respondendo ao incentivo econômico que elas recebem. Se os jovens escolhessem um tipo de música diferente, todo o sistema desabaria. Se tocar em Hongdae se tornasse uma rota para fama e fortuna, então o sistema teria de mudar. Mas enquanto os jovens coreanos não demonstrarem interesse por nada além d k-pop, tudo que lhes será oferecido é K-Pop. E o sistema jamais irá mudar realmente.


Créditos: Mark Russell@Kpop Wars|PT-BR: suky@revistaamf |Postado por daiana@revistaamf

1 comentários:

lissa disse...

Excelente texto. E isso não é apenas coreano, e sim referente a qualquer e toda musica mundial. Pelo contrario, amo musica popular, mas nao quer dizer que concorde com a pouca diversidade oferecida. o sistema vai mudar, pq os humanos mudam, felizmente ou infelizmente.

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